Barcos-dragão unem Rio, China e mulheres que venceram o câncer

1º Open Dragon Boat Brasil terá competição nacional, equipes de remadoras rosas, clínicas abertas ao público e a participação de crianças da Rocinha

A batida dos tambores que há mais de dois mil anos ecoa nos rios da China vai ganhar sotaque carioca na próxima semana. Nos dias 20 e 21 de junho, a Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, receberá o 1º Open Dragon Boat Brasil, principal atração do Festival das Águas Dragon Boat Brasil 2026. A programação promete transformar um dos mais conhecidos cartões-postais da capital fluminense em um espaço de encontro entre esporte, cultura, inclusão social e intercâmbio entre Brasil e China.

Embora a competição reúna equipes de diferentes regiões do país em uma das modalidades náuticas que mais crescem no mundo, o evento vai muito além das disputas na água. O Dragon Boat (embarcação coletiva impulsionada pelo sincronismo dos remadores ao ritmo de um tambor) nasceu na China e se tornou símbolo de união, trabalho em equipe e convivência. São justamente esses valores que orientam a proposta do festival.

Entre as histórias mais marcantes desta edição, que conta com apoio da State Grid, estão as das chamadas Remadoras Rosas, mulheres sobreviventes ou em tratamento contra o câncer de mama que disputarão as provas da categoria BCS/BCP. Vindas de diferentes estados brasileiros, elas encontraram na modalidade uma ferramenta de reabilitação física, recuperação emocional e fortalecimento coletivo.

Durante muitos anos, pacientes que enfrentavam o câncer de mama ouviam recomendações para evitar esforços físicos com o braço afetado pela doença. Estudos realizados em diversos países ajudaram a derrubar esse mito e mostraram que a prática do Dragon Boat pode contribuir para a recuperação e a qualidade de vida dessas mulheres. Hoje, equipes formadas por sobreviventes da doença estão espalhadas pelo mundo e participam regularmente de competições internacionais.

“Além do espetáculo visual das embarcações e da presença diplomática de autoridades, como a Cônsul-Geral da China, Sra. Tian Min, o festival se consolida pelo legado que deixa na comunidade. O Dragon Boat carrega uma simbologia profunda de renascimento e união. Ver isso materializado na participação das ‘Remadoras Rosas’, mulheres que encontram no esporte uma ferramenta vital de reabilitação e apoio na luta contra o câncer de mama, traduz o verdadeiro espírito deste projeto”, afirma o empresário Arthur Chen, realizador do evento.

Na Lagoa Rodrigo de Freitas, elas dividirão o espaço com atletas experientes, iniciantes e participantes de projetos sociais. Um dos momentos mais simbólicos do evento envolverá crianças da Rocinha, que terão contato com a Lagoa pela primeira vez graças às atividades promovidas pela organização. A iniciativa busca ampliar o acesso ao esporte e aproximar jovens de modalidades náuticas tradicionalmente pouco acessíveis à parte da população.

“É um evento que une a potência do esporte de alto rendimento com a sensibilidade da inclusão social e da sustentabilidade. É o Rio de Janeiro celebrando a diversidade e a cooperação internacional de forma viva, gratuita e transformadora”, diz Arthur.

Antes das provas oficiais, o festival oferecerá clínicas gratuitas de Dragon Boat nos dias 17, 18 e 19 de junho. A proposta é permitir que qualquer interessado aprenda os fundamentos da modalidade e tenha a experiência de remar em um barco-dragão, independentemente da idade ou da condição física.

A programação também inclui apresentações culturais, experiências voltadas ao intercâmbio entre Brasil e China, feira gastronômica e atividades abertas ao público. A ideia é mostrar que o Dragon Boat não é apenas um esporte, mas uma manifestação cultural profundamente ligada à história chinesa.

O crescimento da modalidade tem sido acompanhado também por entidades esportivas brasileiras. A Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa) firmou cooperação técnica para atuar no evento, contribuindo com arbitragem, coordenação das provas e homologação dos resultados. A Federação de Canoagem do Estado do Rio de Janeiro (FecaeRJ) também participará das atividades.

Com entrada gratuita, o Festival das Águas Dragon Boat Brasil 2026 pretende apresentar ao público brasileiro uma tradição centenária chinesa que, ao cruzar oceanos, encontrou novas formas de expressão. Na Lagoa, os barcos-dragão serão movidos não apenas pela força dos remos, mas por histórias de superação, integração e descoberta. As inscrições são feitas pelo site oficial.

Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/giro-pelo-oriente/barcos-dragao-unem-rio-china-e-mulheres-que-venceram-o-cancer/